O novo single da banda paulistana Rota 54, “Ali”, é uma homenagem a Muhammad Ali, pugilista norte-americano, considerado um dos maiores boxeadores da história. Além de seus feitos no esporte, foi ainda um defensor dos direitos civis e da luta contra o racismo.
Composta pelo vocalista e guitarrista Caio Uehbe, a música contempla algumas passagens marcantes da vida de Muhammad Ali, como no trecho “Não há vitórias quando a luta não é justa! Não servirei a essa guerra suja”, que remete a recusa de Ali em lutar na guerra do Vietnã, num contexto de segregação racial nos EUA. Em outra passagem, aborda a mudança do nome e a sua conversão ao islamismo, alegando que o antigo sobrenome Clay havia sido dado pelos senhores de escravos e por ser um homem livre, não fazia sentido usá-lo. “Sou um homem livre, não aceito as suas leis, sou Muhammad Ali, não me chame Cassius Clay”. A lendária luta contra George Foreman na República Democrática do Congo, antigo Zaire, também não ficou de fora da faixa, e aparece no refrão “Ali Bomayê”, que no dialeto lingalês significa “Ali acabe com ele”, frase repetida pelos cidadãos locais que seguiam o boxeador nas ruas.
“Ali é um líder mundial que me inspira por sua militância, sua força, suas ideias, sua técnica e sua retórica, e que deve ser relembrado. Estamos tendo, após a eleição, a chance de refletir sobre o momento histórico nefasto que foi o desgoverno nazifascista do Bolsonaro, e acredito que uma música com a força de Muhammad Ali está dentro desse contexto de reconstrução de um país que sofreu tanto com um governo abertamente racista”, diz Uehbe.
Produzido por Wagner Bernardese lançado pelo selo Red Star Recordings, o single “Ali” ganhou um videoclipe dirigido por Marcelo Jacob e estrelado pelo jovem boxeador Kelvy Alecrim,promessa olímpica brasileira. As imagens foram gravadas no “Boxe Autônomo”, projeto social e academia de boxe antifascista e antirracista na cidade de São Paulo. Kelvy Alecrim, morador da Favela do Moinho, começou a lutaratravés do projeto e hoje é uma das principais apostas do país na modalidade.
“É muito importante que atletas vindos de projetos sociais com um claro viés político comecem a ganhar destaque para acabar com esse discurso conservador, reacionário e empresarial, de que não se deve misturar esporte com política. Muhammad Ali e tantos outros já provaram como o esporte pode e deve ser um instrumento de denúncia e transformação social. Esperamos que Kelvy seja um grande campeão dentro e fora dos ringues, sendo uma voz contra o racismo, em defesa do direito das pessoas de sua comunidade, servindo de inspiração para os jovens”, revela o vocalista.
“Ali” faz parte do quinto álbum do Rota 54, intitulado “Bomayê”, que será lançado em março deste ano. Formada em 2008, atualmente a banda é composta por Caio Uehbe (vocal e guitarra), Daniel Moura (guitarra), Camarada Renan (baixo) e Vinícius Coelho (bateria).
Assista ao videoclipe “Ali”:
Foto da banda por Jeff Marques / Arte do single por Caio Uehbe